Quando a loucura e a sanidade convivem íntimas, lado a lado, disputando espaço no seu dia. Sem razão lógica, sem causa aparente. Sem motivos razoáveis os quais poderiam justificar ao mundo os sentimentos extremos, a agitação, a euforia; a apatia, o olhar vazio. É você no mundo, sozinha, tentando sobreviver à montanha-russa de sentimentos, durante as atividades mais corriqueiras. Todo dia. Todo dia uma nova batalha, dentro de você, que tem de ser vencida, mas que de qualquer forma você vai perder. Porque está tudo em você. Os dois lados. Os dois mundos. Sol e chuva. Dia e noite. Claro e escuro.
Por vezes é uma noite mal dormida, pela agitação, o pensamento acelerado, a cabeça "cheia de palavras". Em outros momentos é a sonolência extrema, a vontade de desistir todos os dias, o cansaço que te traz à mente a todo o tempo o questionamento: "isso vale a pena?".
E tudo isso vivido em segredo. Como explicar ao mundo que você não está bem, e não há razão aparente para isso? Como justificar a euforia, a perda de foco, os atos inconsequentes - que duram meses, semanas, dias, horas - e são seguidos por completa e total desmotivação com a vida, o peso infinito nas costas, o olhar vazio.
Nenhum dos dois lados lhe faz bem. Nem um dos dois é saudável para o corpo e para a alma. Existe um caminho do meio, o qual procuramos desesperadamente, sonhando com o dia que teremos que lidar apenas com os problemas reais do mundo, não mais com os problemas da nossa cabeça. Parece tão injusto, como largar na corrida da vida algumas posições atrás, e dessa forma, sempre ter que trabalhar muito mais para "segurar a barra" e conquistar seus sonhos e objetivos.
A sociedade exige produtividade dos indivíduos. Conquistar as coisas exige trabalho e concentração. Como realizar tudo isso, enquanto luta sua própria batalha interna? Como viver nesse mundo sem a habilidade de se manter estável para "produzir"? Como sobreviver a sua própria inconstância?
Não há resposta certa para nada disso. Só experiência, tentativa e erro, luta diária por você e contra você. Cada um lidando com o fardo com o qual veio. Sem pensar no que é justo ou não, apenas no que pode ser feito para passar por mais um dia com o mínimo de sanidade necessária para viver.