quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Não era para eu estar aqui.

ela
Não era para eu estar aqui.
Faça o que quiser, mas não sorria assim. Não sorria, porque esses sorrisos seus, assim quando sorri e sorri simplesmente, são devastadores, únicos, destruidor de lares.
No plural não sei porque, já que é só você quem o tem, e só o vejo sorrir assim para mim - quanta modéstia.

Quanto aos lares, tanto faz, a muito não se vê um por essas bandas.
Assim mesmo, não devia eu ter vindo. Vim sim, por motivos que desconheço e não compreendo. O que nada me impede de ir por hora e agora, sem voltas para as sensações passadas.

ele
Vejo que a desconheço menos do que poderia eu prever após tantos aniversários ausente. O auto-controle, afinal, ainda é uma lacuna na sua lista de qualidades. E, percebo agora, depois desse seu sorriso sinceramente incrédulo, que essa lacuna converteu-se em uma de tuas mais encantadoras particularidades. Sorria, querida, isso foi um elogio.

O tempo só acentuou meu encanto por tuas manias e falta de nexo. Gosto disso em ti, gosto do sexo, da falta de ordem, de sentido, do teu jeito confuso de fingir que não me quer. O encanto entre nós dois vai passar ou amanhã ou depois ou semana que vem. Tu sabe, eu sei. Se não passar, eu é que vou embora.

Vem logo pra cama antes que a noite acabe.

Todos os livros do mundo.

Não era simplesmente por amar lê-los. Amar, sim, ela amava. Amava, todavia, mais forte e irresistivelmente as páginas e as letras enfileiradas e o cheiro de papel impresso. Amava-os mais por possuir, era afinal a posse que a encantava. Era preciso que ela os possuísse, preciso e necessário. Tê-los ao redor, encarando-a, empilhados como que aguardando pacientes pela escolha, que tinha mais prazer, prazer enorme, por ser difícil escolher.

Ninguém nunca a dissera que não poderia possuir todos, todos sem que sobrasse um só longe de suas asas, longe de seu olhar romântico, de todos os tipos, épocas e cores. Não havendo ninguém que a contrariasse, ninguém que ao menos provocasse a dúvida, ela, astuta e engenhosa que era, sucumbiu ao ímpeto de possuir. Possuir, já dito, era necessário. Mais que necessário, era imprecíndível! Interessante a necessidade da menina de possuir. Interessante sim, visto que ao que parece não era menina de caprichos. Se fosse, haviam todos de compreender, menina caprichosa que tudo quer e de tudo necessita. Não sendo, interessante era sim, comportar-se como se a existência dependesse de possuir, e ter e sentir todos. Todos os livros do mundo.

Inegável era que, de fato, olhava com mais carinho e respeito àqueles que carregavam consigo sonhos e histórias de tempos outrora vividos, agarrados a cada linha de prosa ou verso que, por determinação do próprio ofício, eternizava-os. As páginas por sua vez, que relação alguma tinham com esse dever intransferível das palavras, sofriam os efeitos do tempo. Eternas são as palavras, as páginas, a tinta envelhecida, nada de eterno possuem. Enfraquecem, desbotam, borram e por fim, se perdem. É no doce amarelar que o papel impõe respeito.

Nem por isso amava menos aos jovens, lívidos de saber novo e recente, reluzentes, cheios de vida e história para contar. Mesmo os maiores e mais respeitados livros tiveram num dia remoto seus tempos de juventude, quando se voava alto, sem o peso dos anos e das grandes epopéias nas costas.
Aprendera, aos poucos, a respeitar a doce ingenuidade das páginas imaculadas.

Acabava por concluir, aos poucos, com o acúmulo de livros e história e fatos vividos por outros, que por mais estranho que lhe parecesse a idéia, a vida era mais vida dentro das páginas, e as pessoas mais humanas sob efeito dos efeitos de linguagem.
Fez-se reticência, afinal.

domingo, 31 de agosto de 2008

Pelo direito de ser.

Hino à liberdade de ser e existir por excelência.

Para as pessoas que inventaram as suas próprias leis quando sabem ter razão; para as que sentem um prazer especial em fazer coisas bem feitas, nem que seja só para elas mesmas; para as que sabem que a vida é algo mais do que aquilo que os olhos vêem,
FERNÃO CAPELO GAIVOTA.


É uma história com sentido. Para todas as outras, ela será na mesma uma aventura sobre a liberdade e o vôo para além de limites provisórios.


"Ao verdadeiro Fernão Capelo Gaivota que vive em todos nós."

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Amour.

"O tempo passa, os contratempos surgem, batem e combatem as idéias, mas os sonhos estão simplesmente intactos. O tempo não é capaz de mudar o que sonhamos e o que desejamos. A convicção nos impulsiona a almejar os mais longínquos cumes ou mesmo as maiores profundidades, pelo simples fato de querer. No entanto, seria o sonho apenas a fuga dos problemas, da vida, do real? Afirmo veementemente ser estúpida tal indagação. Essa é exatamente a essência do sonhar. Estar em lugares paradisíacos, ter o que quiser, ou mesmo sentir o que nunca se sentiu. A sensação do sonhar, do desejar, do almejar certamente não se encontra em nenhum dicionário ou livro de auto-ajuda, basta sentir e saborear o sabor adocicado da esperança de alcançar um objetivo. No compasso da vida o tempo é um túnel obscuro no qual caminhamos na incerteza, não importa se na nossa caminhada caiamos e nos machuquemos, o túnel continuará escuro e tenebroso, sem resquício de luz. O que nos resta é nos reerguermos e seguirmos adiante sonhando quem sabe, em encontrar a luz que nos espera além do tempo, luz que encontra-se no exterior do túnel, do tempo. Numa saída triunfante, estaremos livres da escuridão e da obrigação de seguir adiante, simplesmente livres do tempo, livres para voltar ou dançar no delicioso embalo da liberdade. Enfim, o tempo é a antítese do sonho, tendo no intermédio o 'eu'. O sonho nos integra, nós integramos o tempo e o tempo é a prisão da liberdade. A tarefa de se livrar da escuridão, particularmente, só terá sucesso se você não estiver só. Algum dia, quando duas pessoas sentirem algo tão intenso que lhes cause uma dor mutante insuportável de saudade, e quando caminhando juntos, perto, lado-a-lado sentirão o calor recíproco do verdadeiro amor. Sentirem a injustiça de saborearem tal sentimento com tamanha intensidade que a força deveria ser dividida entre o mundo inteiro. E finalmente, quando juntos, perceberem que não há escuridão alguma, que por detrás dos olhos de seu amado há um brilho ofuscante e festejante, capaz de iluminar o caminho, evitando tropeços e os guiando, juntos em brilhos unidos, ao fim da cadeia atormentadora. Ao início da utópica e felicidade. Eu não acredito no relógio."

Não, esse não fui eu. Mas é como se tivesse sido. Sinto exatamente o mesmo. Mas duvido que eu tenha capacidade de colocar sentimentos assim em tantas palavras certas. E talvez nem esperasse por isso, da parte do meu amour. Mas amo essa descoberta recíproca, amiúde. Então é só isso, é tudo isso, amour. Nós não acreditamos no relógio.

domingo, 6 de julho de 2008

Eu não acredito no relógio.

"E a gente vai viver do que a gente desejar."

E desejar não passa de uma forma de viver o gostinho alegre do tempo estendido. De um dia a mais -que de fato não chega a ser factual - docemente inventado, desenhado, projetado e colorido. E desejando é que a saudade do futuro motiva o presente. Porque perder-se não é o problema. Perder é a forma de encontrar o que a muito já não se fazia presente. A procura é imprescindível, perder-se é somente um meio.

"É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo." C.L.

Não há pecado em alimentar-se do sonho. Sonhar, pela aura do intocável, é essencial. De tudo que é essência, essa talvez seja a mais doce. Menos concreta e, quem sabe por ser infinitamente pura, a mais forte. O desejo, maior e mais tangível que o sonho, quando se vê nos olhos é mais vivo que o próprio presente. E então o presente pode não ser suficiente. Algumas realidades não suportam certas almas. Aquelas que brilham por detrás das pupilas. Não são o bastante. Que mal há em querer um pouco mais? Um pouco mais de vida? Um pouco mais de momentos além daqueles verdadeiramente possíveis? Um pouco mais de amor?
O tempo não é necessário. E eu não acredito no relógio.

Enganar-se em busca de estabilidade e permanência é aceitar que os dias passam. Ou pior, acreditar que existem. Desejar não é deixar o hoje em função do amanhã. É viver agora uma felicidade precoce. De um amanhã que talvez não chegue. Ou quem sabe não aconteça. Quem se importa? A essência é o sentimento, o fato de fato é só superfície.
E de superfícies já basta o meu agora.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Não faz mal.

Diálogo de sexta à noite.
Lua crescente, noite fria, janela aberta, short verde novo.

-Qual o problema?
-Você me evitar assim, é definitivamente um problema.
-Do computador.
-Hum, certo, computador... é... não sei bem. O que eu disse no telefone?
-Não disse.
(Cara de retardada)
-Ah, foi. Bom, que tem um problema, de fato tem. Juro. Só tenho que descobrir qual é, um minutinho.
Silêncio.
-Como anda a vida?
-Descobriu?
-O que? Das vacas da faculdade? Da sua vida nova?
-O problema do computador.
-Ah não, esse não. Ainda não. Senta ai.
-Estou bem assim. Deixa que eu dou uma olhada.
-Você tá com pressa? Quer água?
-Não, obrigada. Acho que tá tudo certo, né?
-Tudo certo? Comigo? Ah...mais ou menos.
-Com o computador. É..acho que já vou.

...

Algumas meias-palavras ditas e outras não ditas, algumas monossílabas,uns olhares sem foco, a ausência do olhar, e tudo se perdeu.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Domingo



"..Mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra."



Domingos são dias estranhos. Estranhamente exaustivos. Dias nos quais deveríamos descansar mas que não descansamos por estarmos muito ocupados pensando no quanto estaremos ocupados no dia seguinte. Não muito raramente o dia termina sem que tenhamos ao menos parado de pensar nos problemas que nos seguem até em casa e se alojam no sofá, na mesa de jantar, no quarto. Ou mesmo aqueles problemas que já moram lá.
Enquanto o domingo é pré-ocupado com os problemas da segunda-feira, o sábado é dedicado aos problemas da sexta, que por sua vez parecem infindáveis e insolúveis, mesmo com a eminência teórica da paz e do calor do fim de semana utópico o homem do século XXI. Com o fim da utopia inatingível dos dias não-úteis, as coisas se tornam diferentes. Agora não são pré-ocupações, mas sim ocupações pré-ocupantes, urgentes e desesperadas. A segunda-feira já amanhece com o peso de toda uma semana de trabalho incessante, problemas insolucionáveis e minutos que duram segundos. Mas o pior de todas as sensações é a de que é apenas o começo. A terça e a quarta-feira parecem nascer com um sol mais brilhante e leve, com a sensação já conhecida de que a semana já se foi pela metade. A felicidade, como era de se esperar, dura pouco. Logo se pensa: E daí? Dali a quatro dias começará outra. E outra, e mais outra depois. São noventa e seis horas, alguns milhares de minutos, outras dezenas de milhares de segundos. É factual. Repetitivo. Incessante. Lascinante. Nas dezenas de milhares, você pára de pensar. É que são números demais para o meio da semana, talvez volte a contar no sábado, quando estará mais livre. Depois dos números, quando volta a reparar o sol, ele já se pôs. E a quinta-feira surge assim, meio morna. E você abre os olhos listando seus problemas, escova os dentes calculando os horários, e conclui amargamente, enquanto o café esfria na cozinha, que não há tempo suficiente. No dia seguinte, com o acumulo de insuficiência temporal, pensa antes de abrir os olhos, abre os olhos antes de acordar, dispensa o café antes de escovar os dentes, esquece alguma coisa em cima da mesa, perde as chaves, deixa de almoçar, trabalha o dia inteiro e não faz nada, mas sorri exausto no fim da tarde. É sexta-feira, afinal. Permite-se agora mergulhar na utopia do fim de semana. São somente pré-ocupações.

domingo, 25 de maio de 2008

Por amor ao prazer.



"... eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade."
Clarice Lispector

É claro que para você, amigo leitor imaginário, que vez ou outra vem reler o já escrito, na falta do escrito novo e que, assim como eu, torce desesperadamente para cansar-se do já lido, deve ser de fato uma situação desagradável. Para mim, como pessoa que escreve por amor ao prazer, pouco importa. Isso afirmo, visto que leitores imaginários, pelo caráter imaginativo, são ilimitados. Caso você, atual imaginação, se canse do já escrito e não volte para ler o que por ventura o desejo me fizer escrever, em nada me incomoda. É tão simples que sinto o ócio supremo ao fazê-lo. Reinvento-te. E reinvento melhor, minha imaginação não falha. Esse caráter infalível me permite perder-te quando quiser, por ser fácil e prazeroso encontrar-te, melhor ou pior, variando de acordo com a intensidade do sol. A questão é a mudança. Te perder é que faz com que eu me encontre, que é imaginando que a procura se torna (de) fato essencial. E a essência da necessidade de encontro é que provoca o desejo de escrever. Porque enquanto não escrevo, reinvento-te. E reinventado, é que pode ler o resultado da procura. Evidente que se olhar bem o caráter mutável, entende-se a ausência de frequência. É que freqüência é de fato muito monótona. Exceto pelo trema. Não há nada mais atrativo do que o trema em freqüência. Talvez eu venha escrever mais freqüência, vez ou outra. A rotina te mataria, leitor imaginário.

E esta, evidentemente, é apenas mais uma grande desculpa para a ausência de idéias inteligíveis. É a incompassibilidade de loucura e silogismo. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo o entendimento.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Insolência II

Colada à tua boca a minha desordem.

O meu vasto querer.

O incompossível se fazendo ordem.

Colada à tua boca, mas descomedida

Árdua

Construtor de ilusões examino-te sôfrega

Como se fosses morrer colado à minha boca.

Como se fosse nascer

E tu fosses o dia magnânimo

Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.


Hilda Hilst ( Do Desejo - 1992)

- Que foi quando me fizeram. (;

'à um graande amoour.

sábado, 19 de abril de 2008

Insolência

Só pela necessidade de escrever.

"Agarrada ao travesseiro, piscou. Lentamente. Pensar que tudo se repetia era talvez uma forma de equacionar datas, beijos e promessas. E o fim. Amiúde intensa. De fato, era uma lógica que talvez explicasse o fim. De qualquer forma, era só um talvez. A incerteza do talvez. Mas agarrava-se a ela, com as unhas roídas, assim como agarrava-se ao travesseiro, que fosse só pela ilusão do abraço. Era só uma forma encontrada para facilitar aquilo, diminuir o aperto, a incerteza baseada em fatos. Continuava a raciocinar, o raciocínio nublado, meio frio, meio úmido. A umidade, e isso ela guardava para si, escorria pelo rosto. Mas todos naquele quarto sabiam, todas as coisas, as paredes e os livros. Esperavam a noite vir, e quando vinha, tudo era silêncio e escuridão pegajosa no quarto fechado. E era ai que eles sentiam que ela estava lá, equacionando, irracionalmente, toda encolhida na cama. Sozinha, óbvio. Solidão era a sensação mais adequada para o momento. Ouviam-na algumas vezes, e era angustiante. Mas ver, nunca. No fim, a incerteza é que salvava a situação. E fazia com que ela tivesse esperança. Doce ilusão. Santa inocência.
Apesar do talvez, uma coisa era fato. O sentimento sofria baixas. Profundas e dolorosas, se há a necessidade de explicar. Que pareciam pequenas e irrelevantes, mas que devastavam em silêncio, quietas. Baixas como aquelas sofridas pela Alemanha, quando a guerra começou a inclinar-se para o fim desastroso. Aos poucos, o espírito da coisa ia morrendo. As pessoas também, mas não aos poucos. Tais baixas, ela sabia, eram só um presságio, como um agouro, de que o fim estava próximo. Ela podia senti-lo, vibrante na equação que ela tinha na cabeça, detalhada, infalível. Sabia dos fatos, das datas, do que ele diria. Sabia o que sentiria, o que ouviria dele. A priori, já sabia que seria trocada. Ou que haveria outra desculpa pior, caso ele tentasse ser mais criativo. Mas não, não se encha de compaixão, nem tente. Ela não merece. A troca, o fim, as baixas, as desculpas desconexas, de tudo ela já estava ciente. A escolha foi dela. A esperança ínfima, de que talvez fosse diferente. Era o talvez. Doce ilusão. Santa inocência.
Insolente, não se deixou levar. Que o fim viesse, o estava encarando e não desviaria o olhar. Ela era assim, tinha de ser. Descomedida, imensa em sua pequenez. O Führer, você já sabe, foi até o fim. Foi-se, levou milhões. É assim, na guerra e no amor.
Mas a guerra me parece menos egoísta."

É só raciocinar um pouco.

sábado, 29 de março de 2008

...

"e o que há de bom entre eu e eles? Estar aqui. A vida existe e a identidade...essa brincadeira de poder continua e você pode contribuir com um verso."
W.W.

Qual o teu verso?

sexta-feira, 28 de março de 2008

E o que há de bom entre eu e eles?

http://insapiencia.blogspot.com/
...
Faça
sua história. FAÇA. Não espere que ninguém faça isso por você, é sua história. Se quiser mesmo ter uma, faça acontecer. Todos os heróis, mesmo os inventados, o fizeram. Os vilões, idem. Ambos estão na história, independente da dignidade dos seus atos.
Eles apenas
agiram. Mas não existem dois lados, todos somos e não somos, isso é fato. Portanto, da mesma forma, apenas haja!

"É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata, trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase amou não amou."

Luís Fernando Veríssimo

Ouçamos, portanto, a voz da razão. Muitos foram os que, em epitáfios nostálgicos e melancólicos, disseram a quem estivesse a ouvir: VIVA. Viva o hoje, o agora, escreva suas linhas enquanto vivo, faça algum brilhante conto sobre seus dias, as pessoas que você ama, o seu cotidiano magicamente contínuo. Encontre vida na vida que você tem, porque ela não é eterna, afinal, se fosse, você nem ia querer vivê-la. Faça acontecer, e faça valer a pena.
Faça com que as pessoas olhem para trás e digam a seu respeito: "Nossa, ele foi O Cara". Definitivamente, não deixe passar, não permita ser levado pela corrente de dias e dias que são deixados para trás sem serem vividos. Abuse de cada segundo do qual dispõe, use de cada hora, cada dia, faça deles instrumentos de construção da sua história.
Escreva em cada ação um pouco do que você quer que seja contado, e cultive o hábito de fazer bons amigos sempre que alguém sorrindo passar por você. Eles são sua melhor propaganda, e quem melhor te manterá vivo quando você se for.

"..e o que há de bom entre eu e eles? A vida."
Walt Whitman

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Passível de Eternidade

Fotografias. É o que vejo quando abro os olhos às 6:00 da manhã. E é o que vejo quando entro no quarto, e enquanto estudo, e quando me olho no espelho. É o que eu sempre vejo. Minhas fotografias. Mas o que sinto é bem mais que isso. Aquelas fotografias têm vida. E dá pra sentir pulsar, quando você chega pertinho pra reparar em um detalhe, toda aquela vida que pisca como luz nos olhinhos parados; dá pra sentir os sorrisos crescerem no papel fotográfico. É de um colorido tão vivo, tão intenso, que só dá pra imaginar que é vida o que tem lá dentro. Talvez amor ou amizade. São só essas as opções plausíveis, porque só isso, em todo o meu universo ilimitado, é passível de tanto brilho. É a minha vida que bate lá dentro. É onde eu melhor me encaixo nesse mundo enorme e desconjuntado. É onde eu me sinto uma pessoa melhor do que o ser humano que de fato sou, naquelas fotografias. Não é só pela nostalgia. Pela nostalgia também. Mas é mais pela alegria, e alegria é o que me move nos dias de sol e nos dias de nuvens cinzentas. É a alegria daqueles sorrisos colados na parede com fita crepe, carinho e saudade. Com as bordas coloridas e cheias de luz. Molduras de papel feliz, que colorem os dias, as noites, as madrugadas. É toda a graça e a leveza dos momentos que não vão voltar, mas que colados ali na parede, zombam da ordem natural dos fatos. Escancaram a certeza de que alguém parou no tempo. A certeza de que alguns instantes são, por excelência, passíveis de eternidade. E a eternidade existe, não absoluta, mas relativa enquanto durar. Então alguém fez isso. Alguém achou que certos momentos são bons demais para simplesmente caírem nas graças do passado. O passado não existe para momentos bons demais, pessoas boas demais. Para seres assim existe a memória, a lembrança, a saudade e a fotografia. Aquelas fotografias vivas da parede não deixaram as coisas se perderem no tempo. Elas ainda estão acontecendo, bem ali, no retângulo 10x15cm de borda colorida. E não vão parar de acontecer enquanto existirem nas pessoas.
O tempo é para superfícies. O que vai além disso, é eterno.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O Amor é Contagioso

Esse é o nome do filme que acabei de assistir - pela décima vez -
mas espero sinceramente que você compreenda o extraordinário significado dessas palavras.
E espero que, mais que entender, você pratique-as. Espero que tenha entendido o quanto pode ser feito por cada um de nós, porque podemos fazer muito. Por uma única pessoa, ou por todo o mundo. E é só você, eu, quem pode fazer isso. E é só no hoje, não existe amanhã, e o ontem nós já perdemos. Nós somos o mundo, e o mundo é resultado do que nós somos, do que você faz, do que eu faço, e eu espero fazer alguma coisa a respeito. Ele é só a consequência, enquanto nós, nós somos a causa. Portanto, partindo do pressuposto que você já tenha captado a mensagem, espero que tenha entendido que o único problema aqui somos NÓS. Não se iluda, o problema não é o presidente dos Estados Unidos da América que não quer assinar um protocolo. Ok, ele pode ser mesmo um problema em potencial, mas é só um dos seis bilhões de problemas que vagam pelo mundo nesse exato momento. Nós estamos destruindo esse lugar, e ele não é nosso! O ser humano tem uma pretensão absurda. Não somos donos desse planeta, muito menos do resto do universo, estamos aqui apenas de passagem! Nós vamos embora, vamos sumir, morrer, desaparecer, mas o planeta, não! O planeta tem de ficar aqui, e INTEIRO.
Portanto, da próxima vez que alguém te perguntar o que você faz para mudar o mundo, diga que você faz amor. Entregue um pouco a quem passar por você e mande-o distribuir por ai. Sem 'pré-conceitos', sem discriminação, sem ressalvas, deliberadamente, mande-o distribuir amor. Faça com que você seja uma fonte inesgotável de amor, e você talvez seja a salvação. E espere até esse amor crescer e germinar. Espere ver respeito, compaixão, tolerância. E isso te trará mais amor! É inevitável, um ciclo vicioso que te faz começar, e nunca mais querer parar.
Então veremos um mundo novo para nós, para nossos filho, e os filhos deles, pode apostar.
Você vai mudar as pessoas,
e vai poder dizer a elas que você mudou o mundo. (:


Ela não é hippie, mas confia no poder da paz e do amor.♥

Mon Amour

"Não sei se o mundo é bom
mas ele ficou melhor,
quando você chegou
e perguntou:
Tem lugar pra mim?"
"Não sei quanto o mundo é bom,
mas ele está melhor
desde que você chegou e explicou
o mundo pra mim."
Espatódea - Nando Reis

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Verão

Os dois olharam para o céu. Sentados na areia fina como o sal no mar, as ondas indo e vindo, nada mais parecia ter qualquer relevância. A lua surgia mansa no horizonte e o céu tornava-se cada vez mais escuro. Fora um dia ensolarado, morno. O mesmo calor que aquecia os dois corpos na praia. A dúvida e o medo encurralavam o menino, que se contentava com olhares sorrateiros e o brilho nos olhos ternos da garota. À ela, cabia esperar e torcer para que o rubor e a rigidez inevitáveis de seu corpo não afugentassem a sombra de coragem que vira passar pelos olhos do amigo. Os dois temiam. Ambos desejavam.
O espetáculo era lá, entre os poucos centímetros que havia entre os dois e que ainda precisavam ser superados. A lua clara no céu pouco importava, poderia estar chovendo e os dois permaneceriam ali, lutando contra os próprios receios.
A luz que vinha do céu desenhava formas e cores no mar, uma imagem estarrecedora, mas entre os dois havia um espetáculo à parte. A cada instante ele sentia pesar mais e mais a dolorosa certeza do arrependimento futuro por não agir. Ela sentia que, cada vez mais, a noite perdia a chance de ser perfeita. Mas nenhum dos dois ousaria interromper aquele momento mágico.
A lua parecia se soltar do mar com relutância, e naquele instante os dois sentiram que o tempo poderia parar. Que aquele calafrio poderia ser eterno. Que o mundo parara de girar. Os dedos do garoto estavam entrelaçados a mão dela e com certo receio e docilidade ela sorria para ele. Um sorriso sincero. Manso. Cúmplice. Começou a pensar o que tornara a presença do amigo tão essencial. Não soube dizer.
Ele segurou-a mais firme pela mão. Percebeu que se encaixavam perfeitamente, como que se completavam, forjadas como duas metades. O céu parecia mais bonito do que em toda a noite para a menina, e o garoto parecia muito mais próximo agora.
Olhou as estrelas e viu reclinar-se docemente sobre o ombro ao seu lado. Para os dois, nada mais seria necessário. Nem aquela noite, nem os próximos dias teriam qualquer importância.
A vida já atingira a perfeição.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Ela NÃO é Comunista

Não hoje pelo menos.
Certamente seria se tivesse vivido meus vinte anos (que ainda não chegaram) nas décadas de 1950..1960. Aaah sim, naquela época eu seria a melhor das comunistas. Talvez não sobrevivesse pra contar história, mas ao menos teria como reclamar do sistema! ;D
Hoje ainda poderia reclamar, mas reclamar não faz parte da minha lista de ações úteis, então eu não o faço! Expressar-se contra o capitalismo selvagem, a globalização e o consumismo desenfreado num blog (leia: internet, chips de computador, software) é, no mínimo, uma puta contradição. Mas quem se importa? Coerência demais me dá sono. E tu vai reparar, se por acaso continuar lendo esse blog, que eu mesma sou a pior das contradições.
Já que não posso sair às ruas numa passeata, nem militar um partido comunista - o comunismo como eu sonhava nunca existiu, e eu tive de aceitar este fato depois das aulas de história e sociologia - já que é tão difícil lutar contra o sistema no século XXI, vou me contentar com parar de beber Coca-cola. ;D
Beijos.