Fotografias. É o que vejo quando abro os olhos às 6:00 da manhã. E é o que vejo quando entro no quarto, e enquanto estudo, e quando me olho no espelho. É o que eu sempre vejo. Minhas fotografias. Mas o que sinto é bem mais que isso. Aquelas fotografias têm vida. E dá pra sentir pulsar, quando você chega pertinho pra reparar em um detalhe, toda aquela vida que pisca como luz nos olhinhos parados; dá pra sentir os sorrisos crescerem no papel fotográfico. É de um colorido tão vivo, tão intenso, que só dá pra imaginar que é vida o que tem lá dentro. Talvez amor ou amizade. São só essas as opções plausíveis, porque só isso, em todo o meu universo ilimitado, é passível de tanto brilho. É a minha vida que bate lá dentro. É onde eu melhor me encaixo nesse mundo enorme e desconjuntado. É onde eu me sinto uma pessoa melhor do que o ser humano que de fato sou, naquelas fotografias. Não é só pela nostalgia. Pela nostalgia também. Mas é mais pela alegria, e alegria é o que me move nos dias de sol e nos dias de nuvens cinzentas. É a alegria daqueles sorrisos colados na parede com fita crepe, carinho e saudade. Com as bordas coloridas e cheias de luz. Molduras de papel feliz, que colorem os dias, as noites, as madrugadas. É toda a graça e a leveza dos momentos que não vão voltar, mas que colados ali na parede, zombam da ordem natural dos fatos. Escancaram a certeza de que alguém parou no tempo. A certeza de que alguns instantes são, por excelência, passíveis de eternidade. E a eternidade existe, não absoluta, mas relativa enquanto durar. Então alguém fez isso. Alguém achou que certos momentos são bons demais para simplesmente caírem nas graças do passado. O passado não existe para momentos bons demais, pessoas boas demais. Para seres assim existe a memória, a lembrança, a saudade e a fotografia. Aquelas fotografias vivas da parede não deixaram as coisas se perderem no tempo. Elas ainda estão acontecendo, bem ali, no retângulo 10x15cm de borda colorida. E não vão parar de acontecer enquanto existirem nas pessoas.
O tempo é para superfícies. O que vai além disso, é eterno.♥
5 comentários:
Meu Deus... Amor, vc tem que escrever mais, é sério, toda vez que eu leio alguma coisa no seu blog eu fico refletindo o dia inteiro... Vc escreve de um jeito q... poutz, sem palavras. Te amo ^^
Muito bom o seu texto.
Queria eu sentir tudo isso que você consegue sentir em uma fotografia.
Vou dar uma lida no resto do blog.
bjoos
Bendito seja o inventor das câmeras fotográficas!
Adorei o texto :}
beijo, Nalú
Bravo!
Giovanni Della Porta,
o inventor da fotografia deve tá feliz agora ;)
você é demais Aninhaa, qe saudade ;~
se cuida, e não para de escrever!
beeijo ;*
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