domingo, 25 de maio de 2008

Por amor ao prazer.



"... eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade."
Clarice Lispector

É claro que para você, amigo leitor imaginário, que vez ou outra vem reler o já escrito, na falta do escrito novo e que, assim como eu, torce desesperadamente para cansar-se do já lido, deve ser de fato uma situação desagradável. Para mim, como pessoa que escreve por amor ao prazer, pouco importa. Isso afirmo, visto que leitores imaginários, pelo caráter imaginativo, são ilimitados. Caso você, atual imaginação, se canse do já escrito e não volte para ler o que por ventura o desejo me fizer escrever, em nada me incomoda. É tão simples que sinto o ócio supremo ao fazê-lo. Reinvento-te. E reinvento melhor, minha imaginação não falha. Esse caráter infalível me permite perder-te quando quiser, por ser fácil e prazeroso encontrar-te, melhor ou pior, variando de acordo com a intensidade do sol. A questão é a mudança. Te perder é que faz com que eu me encontre, que é imaginando que a procura se torna (de) fato essencial. E a essência da necessidade de encontro é que provoca o desejo de escrever. Porque enquanto não escrevo, reinvento-te. E reinventado, é que pode ler o resultado da procura. Evidente que se olhar bem o caráter mutável, entende-se a ausência de frequência. É que freqüência é de fato muito monótona. Exceto pelo trema. Não há nada mais atrativo do que o trema em freqüência. Talvez eu venha escrever mais freqüência, vez ou outra. A rotina te mataria, leitor imaginário.

E esta, evidentemente, é apenas mais uma grande desculpa para a ausência de idéias inteligíveis. É a incompassibilidade de loucura e silogismo. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo o entendimento.

8 comentários:

Gabo Villalobos disse...

Escrever tem uma carga de sofrimento e renúncia. Quanto mais triste melhor.

Gabo Villalobos disse...

Cada qual escreve em seu ritmo. Se é ruim ou não, questão de opinião.

Djork4ev disse...

"Te perder é que faz com que eu me encontre, que é imaginando que a procura se torna (de) fato essencial."

"Me perder é o que faz com que você não me imagine mais. Sem sentido o leitor imaginário deve deixar o espaço para que alguém, alguém de verdade seja o alvo de suas palavras."

[...]

Thaís Dourado disse...

Quecoisamaisbesta!
HAHAHA
Zoa, flor, ficou ótimo.
Beijo de mais uma de seus ilimitados "leitores imaginários"

S disse...

Tem razão a rotina cansa, precisamos, de fato, da inconstancia, da idéia do "nunca mais pode acontecer", e se pensarmos por esse angulo, teu blog vai ser famoso hein garota!
hahaha

adorei essa do "leitor imaginário"
parabéns voce escreve muito bem

e sim, só descobrimos o alegre depois da tristeza, esse é o barato da vida!

Igor Palhares disse...

É exatamente isso! Viver ultrapassa questionamentos. Eu não sei quem sou, eu não preciso. Eu preciso viver, não descobrir.

A imaginação nos instiga a querer mais, sempre mais :)

(L)

Sophia Ágape Thélema disse...

Caramba, faz tempo que não leio algo assim, sinceramente.

Anônimo disse...

mtoo boom!
adoreei!