"E a gente vai viver do que a gente desejar."
E desejar não passa de uma forma de viver o gostinho alegre do tempo estendido. De um dia a mais -que de fato não chega a ser factual - docemente inventado, desenhado, projetado e colorido. E desejando é que a saudade do futuro motiva o presente. Porque perder-se não é o problema. Perder é a forma de encontrar o que a muito já não se fazia presente. A procura é imprescindível, perder-se é somente um meio.
"É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo." C.L.E desejar não passa de uma forma de viver o gostinho alegre do tempo estendido. De um dia a mais -que de fato não chega a ser factual - docemente inventado, desenhado, projetado e colorido. E desejando é que a saudade do futuro motiva o presente. Porque perder-se não é o problema. Perder é a forma de encontrar o que a muito já não se fazia presente. A procura é imprescindível, perder-se é somente um meio.
Não há pecado em alimentar-se do sonho. Sonhar, pela aura do intocável, é essencial. De tudo que é essência, essa talvez seja a mais doce. Menos concreta e, quem sabe por ser infinitamente pura, a mais forte. O desejo, maior e mais tangível que o sonho, quando se vê nos olhos é mais vivo que o próprio presente. E então o presente pode não ser suficiente. Algumas realidades não suportam certas almas. Aquelas que brilham por detrás das pupilas. Não são o bastante. Que mal há em querer um pouco mais? Um pouco mais de vida? Um pouco mais de momentos além daqueles verdadeiramente possíveis? Um pouco mais de amor?
O tempo não é necessário. E eu não acredito no relógio.
O tempo não é necessário. E eu não acredito no relógio.
Enganar-se em busca de estabilidade e permanência é aceitar que os dias passam. Ou pior, acreditar que existem. Desejar não é deixar o hoje em função do amanhã. É viver agora uma felicidade precoce. De um amanhã que talvez não chegue. Ou quem sabe não aconteça. Quem se importa? A essência é o sentimento, o fato de fato é só superfície.
E de superfícies já basta o meu agora.
E de superfícies já basta o meu agora.
4 comentários:
Viver de sonho é excelente, afinal o que é um homem que não sonha senão um homem morto? Contudo não adianta viver só de sonho, é uma realidade dura, sonhos não enchem barriga, só aqueles que ficam na padaria.
Sério, eu tive que ler umas 3 vezes o texto pra entender...
O tempo é só mais uma coisa que inventaram pra atrapalhar a vontade, um obstáculo para ver se a sua vontade é verdadeira...
p.s: Sei não se você lê sempre o que eu coloco no blog. Já tem um tempo que não aparecia comentário nenhum por lá e como era de praxe vc comentava...
O tempo passa, os contratempos surgem, batem e combatem as idéias, mas os sonhos estão simplesmente intactos. O tempo não é capaz de mudar o que sonhamos e o que desejamos. A convicção nos impulsiona a almejar os mais longínquos cumes ou mesmo as maiores profundidades, pelo simples fato de querer. No entanto, seria o sonho apenas a fuga dos problemas, da vida, do real? Afirmo vieementemente ser estúpida tal indagação. Essa é exatamente a essência do sonhar. Estar em lugares paradisíacos, ter o que quiser, ou mesmo sentir o que nunca se sentiu. A sensação do sonhar, do desejar, do almejar certamente não se encontra em nenhum dicionário ou livro de auto-ajuda, basta sentir e saborear o sabor adocicado da esperança de alcançar um objetivo. No compasso da vida o tempo é um túnel obscuro no qual caminhamos na incerteza, não importa se na nossa caminhada caiamos e nos machuquemos, o túnel continuará escuro e tenebroso, sem resquício de luz. O que nos resta é nos reerguermos e seguirmos adiante sonhando quem sabe, em encontrar a luz que nos espera além do tempo, luz que encontra-se no exterior do túnel, do tempo. Numa saída triunfante, estaremos livres da escuridão e da obrigação de seguir adiante, simplesmente livres do tempo, livres para voltar ou dançar no delicioso embalo da liberdade. Enfim, o tempo é a antítese do sonho, tendo no intermédio o 'eu'. O sonho nos integra, nós integramos o tempo e o tempo é a prisão da liberdade. A tarefa de se livrar da escuridão, particularmente, só terá sucesso se você não estiver só. Algum dia, quando duas pessoas sentirem algo tão intenso que lhes cause uma dor mutante insuportável de saudade, e quando caminhando juntos, perto, lado-a-lado sentirão o calor recíproco do verdadeiro amor. Sentirem a injustiça de saborearem tal sentimento com tamanha intensidade que a força deveria ser dividida entre o mundo inteiro. E finalmente, quando juntos, perceberem que não há escuridão alguma, que por detrás dos olhos de seu amado há um brilho ofuscante e festejante, capaz de iluminar o caminho, evitando tropeços e os guiando, juntos em brilhos unidos, ao fim da cadeia atormentadora. Ao início da utópica e felicidade.
Eu não acredito no relógio.
Só acredito no semáforo.
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